Vida Cristã

O que estou fazendo com a minha vida?

26 de March de 2018

Sem sombra de dúvidas a pergunta que mais passa na minha cabeça nos últimos meses é “O que estou fazendo com a minha vida?” A resposta é sempre a mesma: eu não faço mais a menor ideia. O engraçado é que há dois ou três anos atrás eu sabia de tudo, estava tudo calculado e planejado. O meu objetivo era simples –  ser a melhor profissional que poderia ser. Com isso, consequentemente, teria uma vida estabilizada e orçamento livre para as futilidades básicas de uma jovem brasileira. compras-saída-com-amigos-netflix-viagens de vez em quando

Mesmo com isso muito claro, nunca me conformei com as etapas básicas da vida contemporânea de: nascer > estudar > trabalhar > casar > ter filhos > me aposentar > morrer.  Queria algo mais; algo que fizesse minha vida valer a pena. Mais do que isso, também sempre tive uma alma justiceira, uma mente acelerada, pensamentos que não encontram fim… pelo menos conseguia uma certa paz consumindo entretenimento e me ocupando com essas coisas. Será que isso é suficiente? Sem contar com acidentes e imprevistos, tenho pelo menos ainda 50 anos de vida. Será que é dessa forma mesmo que quero gastar estes anos?

Às vezes sinto algo sobrenatural; um desejo gigante de fazer algo que importa, que mudará a vida das pessoas de verdade. Sinto uma certa urgência. Lá no fundo da minha consciência eu sei o que quero fazer com a minha vida. No último ano estive em lugares que só visitava em meus sonhos, conheci realidades que nem sabia que existiam. E me vi fazendo o que, naquele momento, tive a certeza que era a razão pela qual estou neste mundo. Quando estava em um orfanato em Moçambique conheci crianças muito lindas, bem cuidadas por um casal de brasileiros maravilhosos que passaram cerca de duas décadas construindo uma espécie de Nárnia no meio de um país econômica e politicamente turbulento. Vi algo semelhante em Madagascar, em um centro de resgate à crianças em situações de risco. Em apenas duas horas lá vi cerca de 70 crianças sendo alimentadas, suas famílias recebendo diferentes tipos de auxílio e principalmente recebendo amor, se sentindo cuidadas.

Não quero ser prepotente e dar a entender que com 24 anos sou capaz de escolher o que fazer com o resto de minha vida e nunca mais olhar pra trás. Até porque o mais divertido da vida é sua imprevisibilidade e a capacidade que temos de dar a ela novos rumos sempre que quisermos, não é mesmo?

Não sei como ou quando isso começou, mas eu percebi que tinha muito medo da vida. Medo de errar, de olhar pra trás e me arrepender de ter feito ou não algo. Queria sempre acertar, então tinha medo de tomar decisões. Comecei a questionar Deus a respeito dessas coisas. Hoje em dia temos tantas opções, tantos caminhos para seguir. É melhor ficar no lugar seguro ou me arriscar em algo novo, fora dos padrões normais? Por quê Deus não me fala logo o que tenho que fazer?

Eu, como cristã, tenho o privilégio de crer que a vida é muito mais do que podermos ver e prever. E, aos poucos, aprendo a me desprender do curso normal da vida. Não é fácil, mas atualmente é a única coisa que tem feito sentido pra mim. É uma visão romântica dizer que quero abdicar de minha vida e meus sonhos a fim de ajudar  o próximo, a verdade é que sinto que só assim faço minha existência valer algo. E mesmo sabendo disso, ainda é difícil.

Confiar

Em Provérbios 16.9 diz “Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos.”  É muito claro, não é? Nós podemos planejar tudo, mas no fim o Senhor é que irá determinar nossos passos. Por quê me preocupar tanto? Por quê tanta pressa? Tanto medo? Se serve como um incentivo, o que acabo de decidir é confiar, descansar… me fazer disponível para Deus e estar tão próxima dEle para que eu saiba que cada passo que darei, não será só o meu, mas dEle também.

Não sei exatamente o que Deus quer de mim, apenas sei que é algo bem maior do que aquilo que eu queria para mim mesma. Sigo orando, esperando e crendo nos planos dEle para mim.

 

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